Sobre as pessoas não gostarem de equações

O último post deu resultados interessantes. Eu, como um bom aspirante a cientista, gosto de analisar dados. Acompanho com cuidado como as visualizações do blog. As visualizações tiveram um aumento exponencial enquanto os textos não tinham equações, e de repente caíram. Se eu ligo pra isso? Nem um pouco. Muito provavelmente meus leitores verão mais e mais equações por aqui. Eu gosto, e praticamente só sei falar de Física. Confesso que fiquei bem feliz, inclusive, com o tanto de visualizações que o blog teve desde a última postagem.

Matemática pra mim é algo muito bonito e misterioso. Eu NUNCA ousarei dizer que eu sei matemática de verdade, mas sempre que eu tenho a chance, tento aprender um pouco mais. Por outro lado, a grande maioria das pessoas são bastante preconceituosas (mesmo quem tem alguma formação em ciências exatas) e costumam evitar ao máximo entender equações, fazer contas ou qualquer outra coisa do tipo.

Talvez eu tenha assistido a esse problema do melhor lado. Sempre fui o estereótipo de nerd. Isso sempre me permitiu ver o quanto as pessoas são preconceituosas com quem gosta de estudar. Sempre achavam ofensivo no Ensino Fundamental eu fazer uma prova em 10 minutos e ir melhor que a sala toda (não só alunos pensavam assim, mas também uma grande parte dos professores). Ter prazer em aprender parece errado, pra muita gente. Se você gostar de ciências exatas, então…

A culpa disso? Provavelmente nosso sistema educacional, com um pouco da cultura do país. Eu não sou nenhum especialista em ensino. Muito pelo contrário. Minha experiência em sala de aula ainda é bem pequena. Mas não acho que seja necessário ser especialista pra saber o quão errado algumas coisas acontecem por aí. Por incrível que parece, as ciências exatas são ensinadas mais à base da “decoreba” do que quaisquer outras áreas de conhecimento. Um belo professor de Física, de Matemática e de Química (pra Biologia isso também vale um pouco) de Ensino Médio é aquele que ensina musiquinhas, frases engraçadas que ajudam a lembrar equações, dão provas fáceis e passam pouca “tarefa de casa”. Enquanto isso, professores de História, Geografia, Literatura e todas as outras coisas que eu detestava no colégio adoravam fazer os alunos pensar, e os alunos adoravam eles, assim como adoravam os engraçadinhos de exatas.

Como um aluno que foi treinado dessa forma sobrevive ao temido Cálculo I? Não sobrevive, óbvio. Reprovar 70% da turma é normal (e eu digo mais: é necessário). Não dá pra passar um aluno com a mentalidade colegial para as próximas etapas. A vida não é feita de musiquinhas, a vida real é feita de conceitos.

Nesse ponto nós chegamos num impasse: como pegar um aluno que foi treinado a aprender musiquinhas a vida toda, reprovar ele na primeira matéria importante que faz na faculdade e fazer ele adorar matemática? Em geral nesse ponto o aluno já tá quase desistindo da carreira e acha que matemática não é pra ele. Nesse ponto, um aluno não consegue ler um texto num blog com operações de soma e subtração sem largar nas primeiras linhas.

Depois disso, tudo vira uma bola de neve. Se nossa cultura é pensar que ciências exatas em geral são chatas, pouco úteis, e não precisam ser levadas a sério (afinal de contas, dá pra aprender com musiquinha, ou o professor não é bom), não existe nenhum bom motivo para financiar estudos de pessoas que se interessam na área, que querem promover educação de uma forma diferente, que querem contribuir para o desenvolvimento científico do país. O lado bom é que essa bola de neve não cresce com tanta força, afinal de contas, professores/pesquisadores/estudantes apaixonados pelo que fazem não buscam  uma carreira com bons rendimentos financeiros. Depois de enfrentar todos esses obstáculos culturais, fica claro que as coisas não se resumem apenas a dinheiro, mas existe sim uma missão de repassar esses valores para um ou outro nerdzinho que anda por aí.

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