Tempo perdido

Removimentando o blog com um assunto que há muito tempo eu tenho vontade de escrever mas faltava coragem e conteúdo. Talvez o texto ainda não saia conforme eu esperava, mas eu sinto que preciso escrever sobre isso.

Eu já disse em outras postagens que estou prestes a me formar, e isso significa dizer que já passei pelas mais variadas situações em sala de aula. Mas a verdade é o seguinte: das dezenas de professores que eu tive durante a minha graduação, eu posso contar nos dedos de uma mão quantos realmente fizeram a diferença (e talvez ainda sobre dedo). OK, talvez eu esteja esquecendo de contar mais uns 2 ou 3 professores que eram muito bons, mas cuja disciplina eu só fiz por obrigação.

Em geral o problema se resume a uma coisa só: título de doutor, concursado pela melhor universidade da América Latina, preguiçoso e que pensa que os alunos vivem numa caverna e não fazem ideia do que se trata a disciplina que estão assistindo. Resultado: 4 horas semanais jogadas no lixo assistindo o professor se endeusar e recusar a ministrar disciplinas de forma decente.

Vamos fazer uma continha simples. Pelas minhas contas, eu fiz ao longo da minha graduação 67 disciplinas. Daqueles professores que posso contar nos dedos da mão, eu imagino que tive uma média entre 2 a 3 disciplinas ministradas por cada um. Sendo otimista, eu fiz 15 disciplinas com eles. Isso significa 52 duas disciplinas que eu considero que teria sido um tempo muito melhor aproveitado se eu tivesse ficado em casa lendo um bom livro. Cada disciplina em geral tem 4 horas/aula semanais, mas lembrando que algumas delas tem só 2, uma boa média talvez seriam 3,5. Cada disciplina dura 15 semanas, o que implica que o tempo que eu imagino que eu poderia ter aproveitado melhor na minha graduação é 52×3,5×15=2730 horas. Isso é maior que a carga horária de muito curso por aí. Acho que dispensa qualquer comentário…

Eu não tenho nada contra passar bastante tempo em sala de aula. Já fiz disciplinas que foram tão bem ministradas que eu ficava até meio triste quando a aula acabava (sim, sou nerd). Mas ao mesmo tempo, já fiz disciplinas em que o professor ficava irritado quando alunos tentavam tirar dúvidas, que diziam que não sabiam a utilidade do que estavam ensinando, que passavam mais tempo criticando outros professores do que dando aula, que nivelam a turma por baixo pra não precisar preparar uma aula nova. Eu sei que esses professores olharam de cara feia pra mim, porque eu assumo que sou um péssimo aluno quando tenho que passar por isso, mas nem por isso deixei de fazer minha obrigação de dominar o suficiente o assunto e garantir que a cadeira que está marcada como concluída no meu histórico de fato tenha sido aprendida. Então não me considero em dívida com ninguém.

O que eu quero concluir disso? Se você é um professor desses que não acrescentou nada nem pra mim nem pra nenhum aluno, repense tudo que tem feito. Com certeza sua fama é péssima, se seus alunos te respeitam é por medo, e eles sabem tão bem quanto você, ou até melhor, quanta falta de vontade está presente enquanto você desempenha seu cargo.

Se você é um aluno, faça por merecer os bons professores, eles são uma raridade. Ao mesmo tempo, não abaixe a cabeça e aceite o que tem de ruim por aí, ou seu futuro estará fadado a ser igual…

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4 thoughts on “Tempo perdido

  1. Isso é bem verdade, por isso que eu digo que a graduação é um porre. Acredito que as coisas comecem a ficar interessantes no mestrado.

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